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Tema 14 - Contramão , por Marcello Cals



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A principio pensei em fazer uma música que tivesse a ver com a sonoridade do Abbey Road, ou com elementos dispostos ao longo das músicas. Pouco após achei aquilo tudo uma grande bobagem, em querer fazer desta música um pout pourri de genialidades. Parti para um caminho propositalmente diferente, caindo para ritmos brasileiros, e dando ênfase à letra. Os argumentos para a letra se dão com referências ao momento fotografado que deu origem à capa do Abbey Road, e à importância que os Beatles tiveram para o rock em geral, principalmente no momento de seu surgimento em relação ao que vinha sendo feito no rock. Um trocadilho disfarçado pede desculpas públicas ao fato de, quando conheci Beatles, ter dito que “eles não eram nada de mais, eram apenas uma banda legal”.

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Contramão
(Marcello Cals)

Quando veio o grupo dos quatro e atravessou pela contramão, eu não estava certo, meu irmão, de que aquele grupo dos quatro atravessou pela contramão. Eu não estava certo, meu irmão, de qual o porquê, do motivo, da circunstância, da justificativa da andança praquela outra direção. Não tinha por perto veículo algum que fizesse barulho pra valer, porque mesmo quem vinha em bicicleta, estava tão longe de se ver. E quando o asfalto fervia eu já sabia que algo iria acontecer.

Quando veio o grupo dos quatro e atravessou pela contramão, eu não estava certo, meu irmão, de que aquele grupo dos quatro atravessou pela contramão. Eu não estava certo, meu irmão. E junto comigo todo o povo estava indo - o Jerry, Chuck Berry, o Ricardinho – formando uma grande multidão. De longe se via que os quatro vinham vindo, na frente um de branco e outro dormindo, ao menos me deu essa impressão. Cruzamos com o grupo e o Elvis foi insistindo, que para onde eles estavam indo não tinha nenhuma diversão. Um deles olhou para nós e ficou sorrindo, como quem nos chama de menino em busca de auto-afirmação.

Quando veio o grupo dos quatro e atravessou pela contramão, eu não estava certo, meu irmão, de que aquele grupo dos quatro atravessou pela contramão. Eu não estava certo, meu irmão.

Tema 11 - BPM , por Marcello Cals


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Quando eu entrei no judô demorei quase 1 ano para sair da faixa branca. E, quando virei amarela, tinha certeza que era um ótimo faixa branca. Antes de ser novamente promovido, precisei parar por um tempo. Voltei defasado, e fiz questão de trajar novamente a faixa branca. Meu professor perguntou porque eu vinha de branca se eu era amarela. Respondi que eu já havia sido amarela, mas que na ocasião eu era branca e deveria merecer ser amarela novamente.

Eu acho que as pessoas vivem rápido demais, colecionam títulos por minuto, todos muito insipientes, como forma de pseudo-autovalorização. Enquanto meu sonho era ter mais tempo para fazer tudo o que gostaria de fazer, me parece que muitos forçam a barra para colocar todas as coisas que desejam no tempo que têm, e o mais rápido possível. Se você demora 1 dia para ler um livro, você com certeza precisa de mais de 1 dia para realmente tê-lo entendido.

BPM é uma sigla que diz respeito essencialmente ao andamento da música, à velocidade do pulso. E um pulso mais lento não é um pulso pior, é apenas um pulso mais lento.

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BPM


Leu tudo, e um pouco mais.
No exame de direção.
Partiu, se sentiu seguro: o papel falou, tem que acreditar.
E a multidão parou quando a colisão veio e fez parar.
Saiu do carro sem duvidar que de nada valia a habilitação.

Entra, no alemão, francês, espanhol, russo e...
por quê não botar neste molho um inglês?
Vamos decorar na conversação!
E em mais um mês recebe o diploma e convence a si próprio então
que é poliglota, mas não tem vez que não corra pro Google na tradução.

Mestre, aos vinte e dois.
E mais dois, doutorado e logo depois formado em PhD.
Eu não sei por quê tanta pressa assim.
Eu vou viver no tempo em que der pra entender como foi que eu vim.
E eu venho andando.
Pra quê correr num caminho que eu já sei que não chega ao fim?

Tema 10 - Rock da razão , por Marcello Cals


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nunca uma musica feita por mim em tao pouco tempo (um par de horas apenas) envolveu tantas coisas. vou destacar quatro pontos fundamentais para a criacao dela, e azar o de quem nao gostar de ler textos grandes. 1) a imagem me chamou atenção especial por ser uma estatua de um sujeito que, entendo eu, estaria andando. o movimento de alguem andando é muito nitido, ao mesmo tempo uma estatua pressupoe justo o contrário. comecei a divagar sobre as coisas que a parecem absurdas ou obvias mas que acontecem. 2) a titulo de teste, estava a fim de fazer um rock, bem basicão mesmo. 3) estou afastado do projeto porque uma serie de coincidencias infelizes com meus dispositivos de gravacao aconteceram, e, como eu nao estava muito a fim de gravar em mp3 player, me enrolei e nao entreguei a tempo. detalhe, as compus, mas nao gravei. em papo com o guga, ele insistiu que a qualidade pouco importava. eu tenho meus poréns quanto a isso, acho que os instrumentos usados e algo do arranjo sao fundamentais para exprimir uma ideia musical, entao quando nao se tem uma ideia que é mais do que uma melodia a capella cantada e nao se consegue registrar mais que isso, se perde. mas tambem entendo o lado de nosso curador virtual. tinhamos ambos razao. 4) queria variar e nao fazer uma musica no estilo "estorinha", que eu tanto gosto. preferi algo mais amplo, abusando dos duplos sentidos.
ao sentar pela primeira vez para realmente tentar compor o 10o tema, meu insano cerebro costurou todas as figuras da seguinte forma: a estatua me pareceu ser de algum material pedregoso. e pedra, veja voce, é rock em ingles. sempre acreditei que o que o rock tem de mais notavel nao é um vocal gritando palavroes, barulho ou guitarras distorcidas. o rock é um estilo de comunicacao, em que se busca uma certa critica a algo, ou uma inovacao, um remelexo em alguma coisa. não é apenas para curtir, não é apenas para complicar, é algo que meio que rima com buscar caminhos diferentes. um rock sobre uma estatua de pedra que queria caminhar era todo o paradoxo que eu precisava. e, como novamente so poderia gravar toscamente (de qualquer jeito e cantando baixo, porque foi de noitão), usei a propria desculpa do estilo: "vou gravar tosco mesmo, e sem culpa. as vezes a propria estetica do rock é a propria movimentacao de ideias em detrimento do som em si". ou assim inventei eu.

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Rock da Razão
não venha aqui me dizer que eu não tenho razão,
e nem venha aqui me dizer que o real não é ilusão:
se a coisa não precisa acontecer como possa parecer,
quero perder a direção.
frango não pode voar.
casal de um só? dá pra ser.
estátua pode andar.
e eu não consigo compreender porque você insiste que eu não tenho razão.
o mundo é como é, nem sempre são como são.
já vi pato se afogar e filho de pombo nascer.
pra que que eu vou devagar no corredor se eu posso correr?
por isso que eu insisto que eu tenho razão:
se o troço é feito de rock, faz a movimentação.
não venha aqui me dizer.
não venha aqui me dizer que eu não tenho razão.
nem vem aqui me dizer que eu não tenho razão.
não venha aqui me dizer, não venha aqui me dizer.
não venha aqui, não venho aqui, não vem aqui, não venho aqui.
não vem.

Tema 06 - Slide me over , por Marcello Cals



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com certeza esse foi o tema mais complicado pra mim até agora. não que ele tenha sido complicado em si, mas eu não sabia por que lado abordar. parti então para uma estorinha filosófico-religiosa. escolhi ela para ser um blues: como o tema veio em inglês, quis criar num ritmo característico da língua. a letra foi em inglês também, o que configurou uma ousadia dupla minha: achar que poderia escrever uma letra em inglês e achar que poderia cantar em inglês. acho que alguma vez na vida ouvi essa expressão, de “slide me over” como “me passa aí”. sabe deus se ela de fato existe, mas agora, existe. achei que era pertinente uma música abordando essa expressão usando um slide sem vergonha no violão de blues. a gravação eu quis fazer com uma cara bem caseira mesmo. optei pelo violão e arrisquei um pandeiro simplérrimo, com uma ambiência enfática. no final das contas apesar da gravação sempre corrida e despreocupada, gostei do som das coisas, e ironicamente acho que foi a melhor qualidade auditiva até agora, da minha parte. primeiro gravei em G. achei muito grave e parti prum Bb depois, onde minha voz ficou mais agressiva.

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Slide me Over

Have been got raised by my mother
and have been got raised by my dad
always telling to be
just as good as they have been.
Prayed to God every night
thanking all those things that you should know.
Just once asked for a bite,
but it never came along

Nevermind…
gonna have to “buy ” it on my own way.
Mister, slide me over that bike!
Ask forgiveness, and it’s done.

After some years passed me by
was inside home all alone.
Were my parents away,
went to movies, and so
some bad dude took them down
some way they never came home.
And on their funeral
everyone prayed for their souls.

Nevermind…
Whatever good things that you find are now wrong.
Priest, slide me over that bible!
Gotta give a spit on it, have it burned and it’s done.

And from that day on I’ve started
crossing every limit that I found.
Kept living just for my rules,
not believing any of taught.
And suddenly I’ve found my own end:
And suddenly I’ve seen that I’ve died!
Suddenly I looked out and God
was staring me inside.

“Nevermind” - he said
“Whatever you ever did was so fine for yourself.
Now, don’t come here for forgiveness.
Slide it down all those things out to hell.”

(And that’s the way life and death are.)

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Me Passa aí

Fui criado pela minha mãe
e fui criado pelo meu pai
sempre me dizendo para ser
tão bom quanto eles eram.
Rezava para Deus todas as noites
agradecendo todas aquelas coisas que você deveria saber.
Apenas uma vez pedi por uma coisinha,
mas ela nunca aconteceu.

Não tem importância...
vou ter que “comprar”ela do meu próprio jeito.
Senhor, me passa essa bicicleta!
Peço perdão, e está feito.

Depois que alguns anos me passaram,
estava em casa sozinho.
Meus pais haviam saído,
tinham ido ao cinema, então
algum cara mau acabou com eles
de um jeito que nunca conseguiram voltar para casa.
E no enterro deles,
todo mundo rezava por suas almas.

Não tem importância…
Quaisquer coisas boas que você possa achar... agora são erradas.
Padre, me passa essa bíblia!
Preciso cuspir nela, queimá-la, e está feito.

E a partir daquele dia eu comecei
a cruzar qualquer limite que encontrava.
Passei a viver apenas pelas minhas regras,
sem acreditar em nada que me tinha sido ensinado.
E de repente eu encontrei o meu próprio fim:
E de repente eu vi que havia morrido!
De repente eu olhei e vi que Deus
estava me fitando por dentro!

“Não tem importância...” - Ele disse.
“Seja lá o que você tenha feito foi muito bom para você.
Agora, não venha aqui em busca de perdão.
Leve todas essas coisas para o inferno.”

(E é assim que a vida e a morte são.)

Tema 05 - A origem do samba , por Marcello Cals


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Tentei me ater à letra. Veio-me a idéia de como a música tem o poder de transformar uma situação tão triste em algo tão bonito. A música às vezes parece que vem para dignificar uma situação infeliz, e produzir algo tão belo a partir de uma matéria prima tão sofrida. Estava pronto o meu argumento, assim. Defini o estilo antes de buscar alguma melodia: escolhi um samba. Dentro dessa leitura acima, acho o samba um dos estilos musicais que mais entende de transcender um sofrimento, e dessa forma, foi o escolhido pra tratar do assunto. A melodia ficou grande, a letra precisou acompanhar. Não foi moleza.

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A Origem do Samba

Faz muito tempo, no final do 6º dia -
quando tudo o que existia‘inda cheirava novo em seu frescor -
pairava sobre o mundo essa harmonia,
de tão bela, que insistia em orgulhar o criador.

Mas no descanso, na tardinha de domingo,
quando o sol ia caindo algo errado aconteceu:
Não se recorda do que foi exatamente,
mas se viu dali pra frente que a tristeza nasceu.

E assim

surgia
a dor de ver que alguém partia,
levando embora a companhia
que se despia prontamente
em solidão.

Ruía
”O amor eterno”. Não cumpria
as suas juras e fugia
deixando o choro em seu lugar.

E em pranto o mundo inteiro de repente
pensou o fim ser iminente,
quando se pôs a escutar:

Paria dessa tristeza a melodia
que enfim dignificaria
todo sofrer que encontrar.

Poria um fim em tudo sem demora,
trazendo a paz que a toda hora
deve continuar.

Tema 04 - a moeda e a mão , por Marcello Cals


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começou em tentar fugir da óbvia cena de retrato de violência. pensei em relatar a estória de uma moeda que estivesse viajando ao mundo e tivesse aquela foto como algo turístico dela mesma, como nós fazemos. ao que o sangue também era um elemento forte, me veio a idéia de mudar e fazer o caso de um casal constituído por uma moeda e uma mão. para compor, tentei usar palavras de referência às personagens. a primeira coisa que me veio à cabeça foi o ritmo, meio regional, acho que por eu estar fazendo aula de pandeiro e ter praticado algum ritmo assim, sei lá. a melodia novamente me veio intuitivamente, e me dá a impressão que é igual a todas as músicas desse estilo, talvez seja a copia exata de alguma já existente. não me processem, no entanto: não foi intencional!

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A Moeda e a Mão

“A Moeda e Mão”
foi manchete em jornal,
rádio, televisão,
periódico e tal.
E gerou confusão,
comoção nacional,
quando a declaração veio à tona e expôs esse quê anormal
de que era um parto e seria cesárea anti-natural.

Foi um caso real,
foi num dia qualquer,
que chegou no hospital
essa mão de mulher:
Desmaiou pelo chão,
não abria sequer
se passasse na porta de liquidação “leve-o-que-bem-quiser”.
Foi levada às pressas pro cirurgião resolver no que der.

Já a moeda, sentou
lá no banco central.
Quase se enferrujou
de chorar de aflição,
mas sorriu que brilhou
quando veio a visão
do bercinho em cofrinho, de jeito suíno, que fez o aplicar
mil sorrisos felizes nos seus centavinhos sem´conomizar.

A Moeda e a Mão
se abraçaram, afinal...
nova foto saiu
na segunda edição.
Desviou atenção
do enredo geral
quando alguém reparou que tratava de um caso homossexual.
Por discriminação, se disfarçam de luva e nota fiscal.


Tema 03 - i/o , por marcello cals

nada é feito para ser arte. arte é a sua capacidade de absorção, e não a minha de criação. o que pra mim não é absolutamente nada para você é genial, ou vice-versa. Insistimos em botar à prova o que nos é dado como arte e nos elegemos gênios quando vimos tudo em nada. Minha estorinha é mais ou menos por aí. A melodia, novamente, veio do nada. A segunda parte, no entanto, surgiu quando fui tentar aprender a harmonia da melodia que havia criado. Uma busca por um acorde equivocado me deu idéia de uma nova melodia. em 5min mais letras escritas, em 2h30 tudo gravado e mixado. interessante que a melodia, apesar de geralmente surgir do nada, é sempre dentro do clima que estou propondo. assim como uma roupa não cabe em todos os corpos, não acredito que uma melodia sirva a qualquer letra. uma coisa completa a outra, e isso já é filtrado inconscientemente.
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i/o

Sentou frente àquela imagem,
e buscou o significado da origem dessa razão decodificada em cores:
Ter a compreensão, algo de maior que houvesse em si.

Levou tempo incalculável, mas chegou no seu resultado.
E ardeu em satisfação, de sorriso em lábios.
Traduziu da situação algo genial que houvesse em si.

E enfim descansou.
Não que houvesse uma dor,
mas só trouxe o sossego quando viu triunfar.
Tanto se empenhou que alcançou vitoria dessa guerra em paz

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Pintou em sua tela em branco o que lhe bem passou por sua cabeça:
É só registro e distração:
foi qualquer bobagem sem anseio de criação ou gerar debate.
Foi sem ter qualquer intenção que ele fez que “arte” houvesse ali.

E nem considerou que houvesse uma dor.
Viveu sempre em sossego, nem tentou incitar.
Tanto que, encostou este quadro, e em dois dias nem lembrava mais.

Tema 02 - seu nakamura , por marcello cals

o segundo e inusitado tema me passou algo bastante cômico. ao começar a associar aquilo à música, identifiquei como forte a questão do café ajudar a manter os olhos abertos em oposicao ao fato dos olhos dos japoneses serem mais apertadinhos do que os ocidentais. a imagem das mulheres vendo o anuncio foi então o estopim para o argumento da canção, auto explicativo ao ler a letra. para o clima animado do comercial (mas não da vida do seu nakamura, coitado) pensei em algo com cara de marchinha, ou um sambinha animado, como ponto de partida.

a gravacao à capela, no entanto, deixa livre a interpretacao. a melodia surgiu do nada, como usualmente. a primeira frase foi a primeira elaborada, antes da melodia, e certamente, junto com a 2a, criada imediatamente apos, foi o meu ponto de partida para definir o ritmo da melodia, o que acabou por influenciar todo o resto. tinha que resolver a estorinha toda rapida e com palavras o mais claras e simples possível, como geralmente sao as marchas, fiz o melhor que consegui. queria introduzir alguns trocadilhos com palavras japonesas mas obviamente nao deu no tempo disponivel (e talvez nunca). diferentemente do tema 01, essa letra e musica ficaram prontas em 1 semana, a outra foi so para substituir algumas palavras que acharia que soariam melhor.

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SEU NAKAMURA

seu nakamura leva vida muito dura: sua esposa gasta tudo e o exige sempre mais. e ao sol nascente pula cedo pra labuta e so retorna as vinte e duas de colher nos arrozais. mas nakamura, sentindo tonturas dessa tortura que foi dando sinal, chamou a esposa pra tomar providência - que lhe veio com produto visto num comercial e de café entupiu nakamura, que não precisa mais dormir e roda em tempo integral. abre os olhos, seu nakamura! pra acordar o café ajuda, pra amargura é que faz mal!

Tema 01 - A máquina do tempo , por Marcello Cals

é bem verdade que até hoje compus bem poucas canções, e destas, menos ainda foram colocadas à prova de ouvinte outro que não eu mesmo. mas todas elas nasceram de um sentimento meu, muito particular, estimulado naturalmente. compor segundo temas propostos por outros, criando a necessidade de buscar dentro de algo que desconheço um significado próprio que possa ser exprimido de forma musical é algo muito instigante, e cá estou. por ser novidade, criei do nada também uma metodologia que, apesar de ser afim com o meu método de criação, só o tempo dirá se irá ser bem sucedida ou não. com o prazo de 2 semanas, me dei a primeira para assentar o assunto na cabeça, sem pressão ou perspectiva alguma de criação, deixando a outra para composição em si.


não sou do tipo que compõe de improviso. acontece, mas não como um padrão. me angustia ter que pegar um instrumento qualquer e tocá-lo, pior ainda se com outras pessoas, de forma a criar uma fagulha ou, pior, um produto completo. prefiro inventar uma meta abstrata qualquer e a partir dela ir trilhando um caminho, que me levará certeiramente ao objetivo inicial ou a um totalmente diferente. mas preciso ter alguns parâmetros iniciais. apesar de saber me virar basicamente em alguns instrumentos, raramente os uso para compor. melodias quase que exclusivamente são criadas de forma isolada, na minha cabeça, cantaroladas à capela, e a harmonia é conseqüência disto, nunca ao contrário. nunca sei a tonalidade da melodia inventada, canto como me é mais confortável e descubro o tom somente após - caminho que causa estranheza a vários amigos compositores, que disseram usualmente fazer justo da forma inversa.


o tema me passou uma coisa sonhadora do tipo boa, até porque eu acho que as pessoas em geral levam tudo muito a sério demais e perdem uma série de oportunidades de ver as coisas de um lado bem mais lúdico. isso me fez querer que a canção fosse bem leve, com a inocência do tipo do sujeito que pensa assim. a “estorinha” que criei inicialmente era de um sujeito que viajasse no tempo apenas com suas lembranças. mas, com o desenvolver dela, caiu por terra, aproveitando da idéia apenas um trecho. em dado momento cogitei que o sujeito, de tão lúdico, no final estivesse preso por assassinato passional e ainda vendo a coisa de uma maneira bela. mas achei meio tenso demais pro tempo que tinha pra desenvolver.


um macete que eu uso quando quero criar uma melodia e tenho um tema – o que era o caso – é o de balbuciar alguma(s) palavra(s) de forma que o ritmo dela(s) acabe influenciando na forma da melodia. com a cabeça ainda na primeira “estorinha”, saiu o que veio a ser as estrofes da rua e a da chuva, definindo a melodia, usando uma referência bem preliminar em “the course of being in love” do sondre lerche pra ter da onde partir. a “estorinha” da letra então se modificou para ser “o relato de um dia lúdico”, desde o amanhecer até o anoitecer, mas depois achei sem necessidade e preferi criar vários fatos isolados. algo que gosto é de dar algum desfecho pra canção, mas tem que ter cuidado pra não ser piegas, espero que não tenha sido. em algum momento ao longo do desenvolvimento das estrofes fiquei tentado a criar uma melodia e uma letra para refrão. mas logo vi que iria deixar a música grande demais, e provavelmente com a tal da mensagem piegas como letra deste trecho, o que, sendo refrão, faria dele mais piegas ainda. desisti completamente, e tentei resolver as partes com o arranjo, para apesar de serem 3 iguais, não causarem monotonia.


deu no que deu.


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A máquina do tempo


se saio bem cedo em receio que assim evite de atrasar,

congelo em transe de hipnose, ao que se move o sol, partindo em despertar.

e pede ao vento, sem perda de tempo, que à poeira ceda a dança:

e se balança em roda, e canta seu “vum vum vum” saudando tudo o que passar.

se um gato e um novelo se atracam numa batalha milenar,

cancelo os planos de domingo, fico assistindo pra ver que bicho que vai dar.

e se o olfato sentir que de fato a chuva vem para brincar com os seus jatos,

quase me mato de tanto rir do pique-pega que ela faz

se passo na rua que é sua e há tanto não freqüento mais,

em um segundo estamos juntos, pois vejo o mundo de dezesseis anos atrás.

se pego flores, as deixo ao acaso em tua porta,

sem saber porque que faço de qualquer caso essa aventura juvenil de quero mais

Auto-Release

marcello cals primeiro deu uns amassos no violão. mas encontrou o amor foi com a bateria. com o relacionamento aberto, passou a se envolver também com a clarineta e o pandeiro, e se viu quase que obrigado a compor para galantear essas suas quatro paixões. quer ser arquiteto, compositor, músico, escritor, fotógrafo e judoca,dependendo da hora, do dia e do que está passando na televisão.mas se tivesse que escolher uma só, seria uma cachacinha. é convicto que nasceu para ser coadjuvante, mas já escreveu até seu discurso pra se um dia ganhar alguma mariola nessa modalidade.

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