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Tema 04


Créditos : Naldinho Lourenço

Previsão de publicação das composições : 28/04/2009

Tema 04 - Di menor moleca boladona , por Felipe Schuery


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A foto me impôs um personagem. O ódio se espalha, matar é banal. Contexto em que não se sabe quem é mocinho, quem é bandido; em que as notícias que chegam ao papel são sensacionalistas e criam mitos. Não tem bem-me-quer, mal-me-quer, tá tudo junto, num braço só. Inspirado em gírias e melodias de funk.

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di menor moleca boladona

sinistro é que ela nunca foi anjo
tinha o diabo no corpo
roubava mais que geral
aprendeu falar já foi xingando
em casa os pais batiam
mas na rua tinha conceito
era di menor moleca boladona

história curta e muito da mal contada
dizem que, de bob, só quis esculachar
a patrulhinha que ficava lá no pé do morro
juntou moeda e jogou nos cornos dos homens pra machucar
di menor moleca boladona

acharam o corpo furado
chamaram os jornalistas
fizeram foto e virou anjo no jornal
di menor moleca boladona

Tema 04 - sem nomes , por guga_bruno


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a foto me trouxe à lembrança várias notícias dos jornais sobre mortes em confrontos pela cidade , a banalização da violência e , o mais terrivel , a adaptação a essa realidade .

ao contrário dos outros temas onde procurei soluções musicais de forma racional , esse me trouxe a música espontaneamente , quase de uma vez , melodia , harmonia e a primeira estrofe . não uma , mas duas . e embora pareça exagero ou pedância , quis postar as duas . pelo impacto que a foto e as notícias me causaram , vivi uma espécie de conflito : deveria eu tratar uma coisa tão séria como apenas um tema para o blog ? deveria formatar a música para que fosse melhor ouvida , seguindo uma estrutura padrão de música pop ? não , respondi . optei por deixa-las em estado bruto , com a estrutura original , sem refrão , sem segunda parte , sem regravação .

a primeira letra pede desculpas a uma criança morta , tentando assumir a minha parcela de culpa por minha omissão , acomodação e egoísmo . ( quem acompanhou o caso recente do pirate bay ) é como se todos estivéssemos segurando o casaco .

a segunda fala mais ou menos da mesma coisa , sobre como estamos confortáveis enquanto o mundo lá fora engole quem não tem a sua fortaleza .

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sem nome

quem foi voce no mundo ?
me perdõe
por nao poder , você
me responder , você
diga ao menos
seu nome
ao menos
seu sonho
diga alguma coisa
pra aliviar

quem foi você no mundo ?
me perdõe
por perguntar em vão
por já saber que não
pode me reconhecer (?)
nem ao menos
perceber
que sinto alguma coisa
muito

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sem nome 2

cai uma chuva grossa
lá fora e eu
sentado tranquilo
no meu aposento
sofá e tv
sigo sem saber
que a dor de quem está lá fora
é minha também
ou deveria ser

fecho janela me escondo
debaixo do teto
da triste certeza
de que tudo que eu tenho
penso que mereço
mas sigo sem saber
que aqueles que estão lá fora
merecem também
deveriam ter

Tema 04 - a moeda e a mão , por Marcello Cals


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começou em tentar fugir da óbvia cena de retrato de violência. pensei em relatar a estória de uma moeda que estivesse viajando ao mundo e tivesse aquela foto como algo turístico dela mesma, como nós fazemos. ao que o sangue também era um elemento forte, me veio a idéia de mudar e fazer o caso de um casal constituído por uma moeda e uma mão. para compor, tentei usar palavras de referência às personagens. a primeira coisa que me veio à cabeça foi o ritmo, meio regional, acho que por eu estar fazendo aula de pandeiro e ter praticado algum ritmo assim, sei lá. a melodia novamente me veio intuitivamente, e me dá a impressão que é igual a todas as músicas desse estilo, talvez seja a copia exata de alguma já existente. não me processem, no entanto: não foi intencional!

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A Moeda e a Mão

“A Moeda e Mão”
foi manchete em jornal,
rádio, televisão,
periódico e tal.
E gerou confusão,
comoção nacional,
quando a declaração veio à tona e expôs esse quê anormal
de que era um parto e seria cesárea anti-natural.

Foi um caso real,
foi num dia qualquer,
que chegou no hospital
essa mão de mulher:
Desmaiou pelo chão,
não abria sequer
se passasse na porta de liquidação “leve-o-que-bem-quiser”.
Foi levada às pressas pro cirurgião resolver no que der.

Já a moeda, sentou
lá no banco central.
Quase se enferrujou
de chorar de aflição,
mas sorriu que brilhou
quando veio a visão
do bercinho em cofrinho, de jeito suíno, que fez o aplicar
mil sorrisos felizes nos seus centavinhos sem´conomizar.

A Moeda e a Mão
se abraçaram, afinal...
nova foto saiu
na segunda edição.
Desviou atenção
do enredo geral
quando alguém reparou que tratava de um caso homossexual.
Por discriminação, se disfarçam de luva e nota fiscal.


Tema 04 - Nem nada , por Mauricio Coutinho


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Demorei o prazo inteiro para fazer esta canção em poucos minutos. Realmente estava achando complicado ver naquela foto um tema realmente inventivo.
Cheguei a gravar o "rap do classe média" (inspirado em umas das músicas do Guga), mas achei o negócio mais engraçado do que bom. Decidi não mandar...
Olhei pra foto e vi que realmente se tratava de um acontecimento muito triste. Fiquei com o violão buscando acordes 'menores' e me deixando levar numa melodia que estava ali. Só me faltava encontrar. Dessa eu gostei muito, apesar de não ter tido tempo para gravar do jeito que eu gosto. 'Nem Nada' é uma canção sem pontas.

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Nem nada

Nem o tempo achou
Nem se despediu
Nem se preocupou
Nem sequer previu
Nem por um amor
Nem por um real
Nem pra Deus contou
Nem pensou fatal
Nem se comentou
Nem ninguém foi ver
Nem depois parou
Nem foram saber
Nem do céu se viu
Nem na procissão
Nem na prece ouviu
Nem no coração