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Tema 05 - C.B.U.Q. , por guga_bruno
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Uma das coisas que mais me chamou a atenção em "asa branca" foi o fato de estar profundamente contextualizada . é um nordestino cantando um ritmo nordestino , falando sobre uma realidade do sertão nordestino . é a seca cantada com seu forte sotaque , por isso de uma autenticidade única . então tentei manter também uma coerência : compor uma música urbana ( que é a minha realidade ) , falando sobre a cidade debaixo do mesmo sol ( em tempos de aquecimento global , por que não ??? mas só pensei nisso agora ) .
o riff ( que virou a linha de baixo ) é roubado da introdução de "asa branca" . ele foi adaptado ao ritmo ( mais urbano , impossível ) do fanque e justaposto a uma guitarra distorcida ( também urbana ) marcada e repetitiva . a melodia funciona quase paralelamente à essa base-mantra urbano .
para a letra , imaginei um dia de verão , muito sol e calor , centro da cidade , meio-dia . enquanto luiz gonzaga olha a terra ardendo , olhei o asfalto ardendo . e o resto veio desse cotidiano .
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concreto betuminoso usinado à quente
quando o asfalto ferver
borracha do carro , sola de sapato , pele , pé descalço
vão derreter
quando o asfalto queimar
carros vão passando , vidas vão passando e alguém passando fome
pra te entreter
se sofrer
de calor
passe a tarde inteira no leblon
quando o asfalto afundar
feche o olho seco , chore pelo avesso , ande no passeio
pra evitar
quando o asfalto ruir
pule um precipício , pule da janela , não pare no meio
pra escapar
se perder , solução :
passe a vida inteira no shopping
quando o asfalto se abrir
veja "que braseiro" , pense "que fornalha" , ouça "falta d'água"
pra concluir
quando o asfalto sumir
corra acelerado , grite acelerado , fuja acelerado
pra se enganar
conseguiu ?
escapou ?
deixe a carnavália te comer
deixe a carnavália te comer
deixe a carnavália te comer
quando o asfalto ferver
borracha do carro , sola de sapato , pele , pé descalço
vão derreter
quando o asfalto queimar
carros vão passando , vidas vão passando e alguém passando fome
pra te entreter
se sofrer
de calor
passe a tarde inteira no leblon
quando o asfalto afundar
feche o olho seco , chore pelo avesso , ande no passeio
pra evitar
quando o asfalto ruir
pule um precipício , pule da janela , não pare no meio
pra escapar
se perder , solução :
passe a vida inteira no shopping
quando o asfalto se abrir
veja "que braseiro" , pense "que fornalha" , ouça "falta d'água"
pra concluir
quando o asfalto sumir
corra acelerado , grite acelerado , fuja acelerado
pra se enganar
conseguiu ?
escapou ?
deixe a carnavália te comer
deixe a carnavália te comer
deixe a carnavália te comer
Tema 05 - Tiros da minha da terra , por Felipe Schuery
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"asa branca":
- melodia saudosa que se repete a cada estrofe
- pequena parte instrumental com melodia marcante
- ritmo característico da região em questão
- redondilha maior (métrica de cada verso em 7 sílabas, tipo "batatinha quando nasce/se esparrama pelo chão)
- letra sobre imigrante que deixa sua terra por causa de problemas na mesma
"tiros da minha terra":
- tentativa de "idem" para tudo
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tiros da minha terra
da minha terra um tiro ecoa
qual foguete em reveillón
me derramo num lamento
terá fim essa aflição?
mesmo fortes conterrâneos
fazem planos de partir
já distante, te confesso
filhos, quero ter aqui
hoje longe muitas léguas
nessa doce solidão
sonho com lugar tranquilo
pais, amigos, meus irmãos
da minha terra um tiro ecoa
qual foguete em reveillón
me derramo num lamento
terá fim essa aflição?
mesmo fortes conterrâneos
fazem planos de partir
já distante, te confesso
filhos, quero ter aqui
hoje longe muitas léguas
nessa doce solidão
sonho com lugar tranquilo
pais, amigos, meus irmãos
Tema 05 - Volta ( da Asa Branca ) , por Mauricio Coutinho
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Eu sabia que “Asa Branca” tinha uma história, mas não me lembrava. Fui pesquisar e refresquei a memória. Fiz outra música com a mesma proposta de Luiz Gonzaga, claro que em suas devidas proporções. Tentei disfarçar toda a blasfêmia do eu lírico da Asa Branca original apontando mais pra ausência amorosa (por Rosinha e pela terra) do que pela necessidade.
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Volta (da Asa Branca)
Morto de saudade lá da terra
Verde do sertão que não tem mais
Verde era também os olhos dela
Levo na lembrança que me faz
Moço tão saudoso e avoado
Na cidade grande de morrer
Quase sempre meio assustado
Sonho em voltar e reviver
Em paz onde eu nasci
Onde eu achei o meu amor
E até a asa branca eu vi
Voltar de onde foi
Morto de saudade lá da terra
Verde do sertão que não tem mais
Verde era também os olhos dela
Levo na lembrança que me faz
Moço tão saudoso e avoado
Na cidade grande de morrer
Quase sempre meio assustado
Sonho em voltar e reviver
Em paz onde eu nasci
Onde eu achei o meu amor
E até a asa branca eu vi
Voltar de onde foi
Tema 05 - A origem do samba , por Marcello Cals
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Tentei me ater à letra. Veio-me a idéia de como a música tem o poder de transformar uma situação tão triste em algo tão bonito. A música às vezes parece que vem para dignificar uma situação infeliz, e produzir algo tão belo a partir de uma matéria prima tão sofrida. Estava pronto o meu argumento, assim. Defini o estilo antes de buscar alguma melodia: escolhi um samba. Dentro dessa leitura acima, acho o samba um dos estilos musicais que mais entende de transcender um sofrimento, e dessa forma, foi o escolhido pra tratar do assunto. A melodia ficou grande, a letra precisou acompanhar. Não foi moleza.
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A Origem do Samba
Faz muito tempo, no final do 6º dia -
quando tudo o que existia‘inda cheirava novo em seu frescor -
pairava sobre o mundo essa harmonia,
de tão bela, que insistia em orgulhar o criador.
Mas no descanso, na tardinha de domingo,
quando o sol ia caindo algo errado aconteceu:
Não se recorda do que foi exatamente,
mas se viu dali pra frente que a tristeza nasceu.
E assim
surgia
a dor de ver que alguém partia,
levando embora a companhia
que se despia prontamente
em solidão.
Ruía
”O amor eterno”. Não cumpria
as suas juras e fugia
deixando o choro em seu lugar.
E em pranto o mundo inteiro de repente
pensou o fim ser iminente,
quando se pôs a escutar:
Paria dessa tristeza a melodia
que enfim dignificaria
todo sofrer que encontrar.
Poria um fim em tudo sem demora,
trazendo a paz que a toda hora
deve continuar.
Faz muito tempo, no final do 6º dia -
quando tudo o que existia‘inda cheirava novo em seu frescor -
pairava sobre o mundo essa harmonia,
de tão bela, que insistia em orgulhar o criador.
Mas no descanso, na tardinha de domingo,
quando o sol ia caindo algo errado aconteceu:
Não se recorda do que foi exatamente,
mas se viu dali pra frente que a tristeza nasceu.
E assim
surgia
a dor de ver que alguém partia,
levando embora a companhia
que se despia prontamente
em solidão.
Ruía
”O amor eterno”. Não cumpria
as suas juras e fugia
deixando o choro em seu lugar.
E em pranto o mundo inteiro de repente
pensou o fim ser iminente,
quando se pôs a escutar:
Paria dessa tristeza a melodia
que enfim dignificaria
todo sofrer que encontrar.
Poria um fim em tudo sem demora,
trazendo a paz que a toda hora
deve continuar.
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