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Tema 10
























Alberto Giacometti

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Tema 10 - o corredor , por guga_bruno



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me fixei na imagem de um sujeito andando . mas , justamente por ser uma escultura , ele não sai do lugar , fica preso à sua base de bronze . projetei essa imagem no mundo real , pessoas que não conseguem sair do lugar , embora pareçam tentar . mesmo curtinha , quis falar também do risco que é andar , um pouco de filosofia barata , a corda-bamba .

pra composição , parti do refrão , queria letra e violão mais ritmados , experimentar um pouco essa sonoridade de violão preso , mais rítmico , marcando acentos com os baixos . depois ela seguiu naturalmente , criando a melodia em cima de progressões comuns de mpb . os efeitos especiais ficaram por conta do pessoal da obra aqui do lado !

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o corredor

ande , corra , fuja logo
só não fique parado

deixe a perna dobrar , a perna longa
dê um passo mesmo pequeno e depois dois
deixe a base pra trás , incline o corpo
avance
avante
avant

deixe a corda esticada , a corda é longa
dê um passo preciso porque senão cai
deixe os braços abertos , sempre ao lado ,
ao largo ,
ao longo
ao longe

ande , corra , fuja logo
só não fique parado

Tema 10 - Flâneur , por Felipe Schuery



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Associei a escultura ao verbo flanar: perambular ociosamente. Daí vieram os versos e a melodia soltos, como a caminhada do flâneur.

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flâneur

flanar

vaguear

ócio, olho olhos

perambulo

ócio, olho olhos

flanar

vaguear

ócio, olho olhos

mãos dadas com o vazio

vãos, vãos, vãos, vãos

Tema 10 - O passo , por Mauricio Coutinho


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Olhei a escultura do ponto de vista dela. acho que às vezes ela se sente parada demais. Quem sabe? Não viajei com o olhar do espectador. viajei nele. Ele anda e anda para os outros, mas ele mesmo não se move.

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O passo

Olhe o meu passo

Quanto compasso

Ater aqui no chão

Vago cansaço

Lastro inchaço ao ver

Deste quinhão

Risco que traço

Só no meu coração Ah não!

Ando sem sair daqui

Por mais que os olhos de quem vê me ponham a seguir

Tão longe que eu nunca vi

Aposso e peço ao passo em desistir

Tema 10 - Rock da razão , por Marcello Cals


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nunca uma musica feita por mim em tao pouco tempo (um par de horas apenas) envolveu tantas coisas. vou destacar quatro pontos fundamentais para a criacao dela, e azar o de quem nao gostar de ler textos grandes. 1) a imagem me chamou atenção especial por ser uma estatua de um sujeito que, entendo eu, estaria andando. o movimento de alguem andando é muito nitido, ao mesmo tempo uma estatua pressupoe justo o contrário. comecei a divagar sobre as coisas que a parecem absurdas ou obvias mas que acontecem. 2) a titulo de teste, estava a fim de fazer um rock, bem basicão mesmo. 3) estou afastado do projeto porque uma serie de coincidencias infelizes com meus dispositivos de gravacao aconteceram, e, como eu nao estava muito a fim de gravar em mp3 player, me enrolei e nao entreguei a tempo. detalhe, as compus, mas nao gravei. em papo com o guga, ele insistiu que a qualidade pouco importava. eu tenho meus poréns quanto a isso, acho que os instrumentos usados e algo do arranjo sao fundamentais para exprimir uma ideia musical, entao quando nao se tem uma ideia que é mais do que uma melodia a capella cantada e nao se consegue registrar mais que isso, se perde. mas tambem entendo o lado de nosso curador virtual. tinhamos ambos razao. 4) queria variar e nao fazer uma musica no estilo "estorinha", que eu tanto gosto. preferi algo mais amplo, abusando dos duplos sentidos.
ao sentar pela primeira vez para realmente tentar compor o 10o tema, meu insano cerebro costurou todas as figuras da seguinte forma: a estatua me pareceu ser de algum material pedregoso. e pedra, veja voce, é rock em ingles. sempre acreditei que o que o rock tem de mais notavel nao é um vocal gritando palavroes, barulho ou guitarras distorcidas. o rock é um estilo de comunicacao, em que se busca uma certa critica a algo, ou uma inovacao, um remelexo em alguma coisa. não é apenas para curtir, não é apenas para complicar, é algo que meio que rima com buscar caminhos diferentes. um rock sobre uma estatua de pedra que queria caminhar era todo o paradoxo que eu precisava. e, como novamente so poderia gravar toscamente (de qualquer jeito e cantando baixo, porque foi de noitão), usei a propria desculpa do estilo: "vou gravar tosco mesmo, e sem culpa. as vezes a propria estetica do rock é a propria movimentacao de ideias em detrimento do som em si". ou assim inventei eu.

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Rock da Razão
não venha aqui me dizer que eu não tenho razão,
e nem venha aqui me dizer que o real não é ilusão:
se a coisa não precisa acontecer como possa parecer,
quero perder a direção.
frango não pode voar.
casal de um só? dá pra ser.
estátua pode andar.
e eu não consigo compreender porque você insiste que eu não tenho razão.
o mundo é como é, nem sempre são como são.
já vi pato se afogar e filho de pombo nascer.
pra que que eu vou devagar no corredor se eu posso correr?
por isso que eu insisto que eu tenho razão:
se o troço é feito de rock, faz a movimentação.
não venha aqui me dizer.
não venha aqui me dizer que eu não tenho razão.
nem vem aqui me dizer que eu não tenho razão.
não venha aqui me dizer, não venha aqui me dizer.
não venha aqui, não venho aqui, não vem aqui, não venho aqui.
não vem.